Telefonema de Boris Johnson foi recebido no Planalto como pressão por posição mais firme de Bolsonaro sobre a invasão da Ucrânia

No Palácio do Planalto, o telefonema o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, foi avaliado como uma pressão por uma posição firme do presidente Jair Bolsonaro sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia. Foi o primeiro grande líder mundial a ligar para Bolsonaro desde o início da guerra.

A própria divulgação da conversa pelo governo britânico foi vista como um movimento nesse sentido, principalmente pela revelação de expressões fortes utilizadas por Johnson no diálogo.

No telefonema, o primeiro-ministro do Reino Unido disse ao presidente brasileiro que as ações do governo de Vladimir Putin na invasão da Ucrânia foram “repugnantes”, e que o mundo não pode permitir o êxito das agressões promovidas pela Rússia.

Segundo o material divulgado, Bolsonaro e Johnson concordaram em pedir um cessar-fogo urgente na Ucrânia e disseram que a paz deve prevalecer na região.

O silêncio do Palácio do Planalto sobre o telefonema foi considerado simbólico por assessores do governo e evidencia um desconforto de Bolsonaro com a situação.

Ele poderia ter feito referência ao diálogo com Johnson na live desta quinta-feira (3). Mas, em vez disso, Bolsonaro aproveitou a transmissão para agradecer o apoio dado pelo presidente russo, à soberania da Amazônia. Ao falar de Putin, Bolsonaro disse que o Brasil tem “parceiros” nessa questão.

A menção feita pelo governo brasileiro, até aqui, ao telefonema, é que a agenda oficial de Bolsonaro foi atualizada retroativamente para informar que, entre 14h45 e 15h15 desta quinta, ele teve a conversa com Johnson.

No entanto, o Palácio do Planalto porém não respondeu questionamentos da imprensa a respeito da ligação. Na prévia da agenda de Bolsonaro, divulgada na noite de quarta-feira (2), não constava o telefonema.

Nesta sexta (4), o vice-presidente Hamilton Mourão foi questionado sobre o silêncio do governo. O vice disse que soube da conversa pela imprensa.

“Só sei o que foi publicado na imprensa, ninguém comunicou nada”, disse.

Diplomatas de países da Europa que estão em missão em Brasília ouvidos pelo blog avaliam um movimento errático do Brasil nesta crise internacional. Reconhecem a posição do país de apoiar nas Nações Unidas todas as resoluções condenando a invasão da Ucrânia. Mas observam que as posições públicas de simpatia de Bolsonaro ao presidente Putin desequilibram essa posição do país.

Fonte: G1

Foto: Reprodução

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