Rússia muda versão e acusa Ucrânia de encenar ataque a hospital infantil de Mariupol

A Rússia mudou sua versão nesta quinta-feira e negou ter bombardeado, um dia antes, um hospital infantil e maternidade na cidade de Mariupol, um ataque que deixou três mortos segundo o governo ucraniano e causou indignação internacional. Um dia depois de afirmar que não tinha civis como alvo, o governo russo acusou a Ucrânia de encenar o incidente.

Nesta quinta, o porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov, negou que a Rússia tenha realizado ataques contra civis na cidade, acusando a Ucrânia de encenar o incidente. Segundo Konashenkov, forças russas estavam respeitando um acordo para manter o fogo para permitir a evacuação de civis no momento do bombardeio.

— A aviação russa não realizou absolutamente nenhum ataque a alvos terrestres na área. O suposto ataque aéreo foi completamente uma provocação encenada para manter a agitação antirrussa, que pode enganar o público ocidental, mas não um especialista — afirmou.

Após se encontrar com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia na Turquia, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, também atacou o que chamou de “gritos patéticos sobre as chamadas atrocidades das forças armadas russas”.

Lavrov disse a repórteres que o prédio onde fica o hospital estava há dias sob o controle de forças ucranianas ultrarradicais que retiraram médicos e pacientes — versão rejeitada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy. Na quarta-feira, logo após o ataque, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, dissera que “as forças russas não disparam contra alvos civis”. Nesta quinta, Peskov afirmou que o Kremlin investigaria o incidente.

— Definitivamente vamos perguntar aos nossos militares, porque você e eu não temos informações claras sobre o que aconteceu lá. E é muito provável que os militares forneçam algumas informações — disse Peskov a repórteres.

De acordo com Zelensky, três pessoas, incluindo uma criança, foram mortas no atentado de quarta-feira. O balanço anterior publicado pelas autoridades locais falava em 17 feridos.

— Como sempre, eles mentem com confiança — disse o presidente ucraniano, que acusou Moscou de promover um genocídio na guerra iniciada há duas semanas.

Outras autoridades russas adotaram uma linha aindamais agressiva, rejeitando o atentado ao hospital como notícias falsas.

— Isso é terrorismo de informação — disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova.

Antes do atentado russo ao hospital pediátrico de Mariupol, outras duas maternidades foram destruídas por bombas na Ucrânia, de acordo com o chefe do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no país, Jaime Nadal.

— [Mariupol] não é a única. Em Zhytomyr (noroeste), a maternidade foi totalmente destruída. Em Saltivsky, na cidade de Kharkiv (nordeste), a maternidade também foi destruída — disse o funcionário em entrevista virtual com jornalistas ONU.

Nadal não soube especificar a origem dos bombardeios, nem se causaram vítimas. Afirmou que existem 69 maternidades e centros pré-natais na Ucrânia, e que, de acordo com o UNFPA, “cerca de 80 mil mulheres grávidas vão dar à luz na Ucrânia nos próximos três meses”.

Fonte: O Globo

 Foto: EVGENIY MALOLETKA / Agência O Globo

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