Para reduzir preço do petróleo, EUA e outros países vão liberar 60 milhões de barris de estoque de emergência

Os Estados Unidos e outras grandes economias concordaram em um esforço coordenado para liberar reservas de petróleo depois que a invasão da Ucrânia pela Rússia pressionou os preços da commodity para acima de US$ 100.

A Agência Internacional de Energia (AIE), que representa os consumidores-chave, vai liberar 60 milhões de barris de reservas ao redor do mundo. Metade dessa quantidade vai vir do estoque estratégico americano, com o restante vindo de integrantes da agência da Europa e da Ásia, segundo uma fonte a par das conversas.

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Será a segunda liberação de reservas de petróleo em um intervalo de poucos meses feita pelos EUA enquanto o barril dispara como resultado de problemas políticos durante o governo de Joe Biden. A notícia, porém, não foi suficiente para mudar a trajetória da cotação nesta terça, que permanecia acima dos US$ 100.

“A situação no mercado de energia é muito séria e exige nossa total atenção”, disse Fatih Birol, diretor da agência em declaração publicada no site da instituição. “A segurança energética global está sob ameaça, colocando a economia global em risco durante fase frágil de recuperação”.

A Agência Internacional de Energia vai continuar a monitorar os mercados de energia e pode recomendar a liberação de volumes adicionais de reservas se for necessário.

O barril do Brent chegou a US$ 105 em Londres pela primeira vez desde 2014 com receio de que o suprimento de petróleo e gás da Rússia possa ser suspenso, em razão do conflito na Ucrânia ou de medidas retaliatórias. A corrida está exacerbando um aumento da inflação em países que compram o produto, ameaçando a recuperação econômica e piorando o custo de vida na crise para milhões de pessoas.

Ofensiva russa assusta mercado
A ofensiva russa assustou um mercado que já vinha pressionado pela recuperação vigorosa da demanda conforme o pior estágio da pandemia fica para trás. Além disso, o mercado sentia o impacto de restrições na oferta devido ao investimento abaixo do necessário e a interrupções em todo o mundo. Para as comercializadoras Vitol e Trafigura, os preços devem permanecer em três dígitos durante um longo período.

A ação da Agência Internacional de Energia ocorre após a coalizão da Opep+, liderada por Arábia Saudita e Rússia, ter desconsiderado a defesa de Biden no ano passado de um aumento da oferta mais rapidamente. O grupo se reúne na quarta-feira para discutir os planos de produção para abril.

A Arábia Saudita já indicou que não considera a situação do mercado apertada o suficiente para acelerar a restauração da produção. Muitos outros países da Opep+ não poderiam elevar a produção mesmo que quisessem devido a falta de investimento e instabilidade.

Liberação sincronizada de reservas
É a primeira vez que a Agência Internacional de Energia faz uma liberação sincronizada de reservas desde a guerra civil da Líbia em 2011. Há ecos daquela crise nos eventos desta terça-feira: foi a resistência da Arábia Saudita há dez anos que levou a agência a entrar em ação.

Outros momentos de liberação de reservas ocorreram durante a Guerra do Golfo, em 1991, e após os furacões Rita e Katrina, em 2005, fazendo desta a quarta vez na história que há esse tipo de operação.

Os 30 integrantes da Agência Internacional de Energia incluem EUA, Japão, Alemanha e França.

O volume de petróleo de cada país participante será determinado nos próximos dias, disse o diretor da divisão de assuntos internacionais do Ministério do Comércio do Japão, Hidechika Koizumi.

Fonte: O Globo

Foto: PASCAL ROSSIGNOL / REUTERS

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