O apelo de Bolsonaro a ministros do TCU pela privatização da Eletrobras

Ao longo da terça-feira, enquanto o governo e o Tribunal de Contas da União se digladiavam pela votação da privatização da Eletrobras, o presidente da República telefonou pessoalmente para alguns ministros do tribunal.

Walton Alencar e Antonio Anastasia foram dois dos que receberam uma ligação de Bolsonaro. Nas conversas, o presidente apelou ao “espírito público” dos ministros. Pediu, ainda, que eles “pensem no país”.

Os apelos de Bolsonaro foram feitos em meio a um clima já bastante conflituoso entre o governo e alguns ministros da corte de contas.

O ministro Vital do Rêgo, que já pediu vistas do processo em que se discutia a primeira etapa da privatização, voltou a afirmar que pedirá vistas novamente nesta segunda etapa, que estava prevista para ser discutida hoje.

O governo insiste para que a privatização seja aprovada o mais rapidamente possível, para que ocorra ainda no primeiro semestre e não seja contaminada pelo clima eleitoral.

Nos bastidores, ministros do TCU afirmam que a pressa não se justifica, porque em tese a privatização poderia ser feita a qualquer momento.

Independentemente do desfecho desse conflito, porém, a discussão sobre a Eletrobras já está contaminada pelo clima eleitoral.

Na semana passada, o ministro da economia, Paulo Guedes, protestou contra uma suposta interferência de Lula no processo de privatização da Eletrobras.

Foi a reação a uma informação publicada pelo Estado de S. Paulo. Segundo o jornal, Lula teria telefonado a dois ministros do tribunal avisando que, se eleito, reverteria a privatização. “Candidato não pode ligar no TCU e travar venda da Eletrobras”, afirmou Guedes.

Para o ministro da Economia, os ministros do TCU que são ligados ao MDB tocam uma agenda anti privatização para servir aos interesses de Lula.

Vital do Rego é pai do senador emedebista Veneziano Vital do Rego, que esteve com Lula no jantar com políticos do MDB em Brasília, na semana passada. A mãe de Veneziado, Nilda Gondim (MDB-PB), também esteve no jantar.

Outro ministro que a equipe econômica considera comprometido com uma agenda emedebista é Bruno Dantas, indicado para o cargo pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), aliado fiel do ex-presidente Lula.

As declarações de Guedes incendiaram o clima no TCU, que já era conflituoso. Em resposta, o ministro Bruno Dantas – que preside interinamente a corte de contas – fez circular na lista de WhatsApp dos ministros uma mensagem dizendo que as falas de Guedes foram um “desrespeito com o tribunal”.

Fonte: O Globo

Foto: Daniela Dacorso

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