Facebook associa militares a perfis de desinformação sobre a Amazônia

O Facebook derrubou uma série de perfis e contas falsas que disseminavam informação falsa sobre questões ambientais na rede social. A Meta (dona do Facebook), divulgou as informações nesta quinta-feira (7), que fazem parte do relatório trimestral que a empresa produz sobre ameaças na plataforma. De acordo com o relatório, oficiais do Exército Brasileiro eram os responsáveis pelos perfis que tentavam distorcer o debate sobre o meio ambiente e o desmatamento, principalmente na região da Amazônia.

No relatório, a empresa também lista casos em países como Rússia, Ucrânia, Irã e Filipinas. O Brasil foi apontado como exemplo de “comportamento inautêntico coordenado”, termo que a Meta utiliza para definir redes de perfis e páginas falsas que são usadas para manipular o debate público. Segundo o documento, essas contas tentavam se passar por organizações da sociedade civil e ativistas da causa ambiental, compartilhando posts que diziam “nem todo desmatamento da floresta é prejudicial” e ataques a ONGs que atuam na área.

“Não podemos compartilhar muitos detalhes de como nossa investigação chegou aos militares. Quanto mais compartilhamos, mais essas redes conseguem se esconder. Usamos sinais técnicos e comportamentais”, disse ao Estadão Nathaniel Gleicher, chefe de política de segurança global do Facebook.

A ligação dos donos dos perfis com o Exército Brasileiro foi confirmada através do Portal da Transparência, que mostrou que, até dezembro de 2021 – quando a checagem ocorreu, ambos estavam na ativa. “Os nomes deles apareciam em registros governamentais e documentos públicos militares, incluindo resultados de exames de admissão no Exército”, diz o relatório.

O documento também identificou que essa mesma rede desmontada pelo Facebook, entre abril e junho de 2020, mantinha páginas que eram usadas para criticar o presidente Jair Bolsonaro (PL) e promover questões sociais. Perfis como o “Resistência Jovem” postavam memes e manchetes de veículos de imprensa tradicionais que criticavam Bolsonaro, principalmente sua ação na pandemia. Entretanto, a página não obteve muito sucesso e foi desativada, voltando a operar em 2021 já envolvida com questões ambientais.

A clara diferença entre os conteúdos publicados nessas fases não foi explicado pelo Facebook ou pela Graphika. O Exército Brasileiro ainda não se manifestou.

Fonte: Bahia Notícias

Foto: Reprodução

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