Entenda como quarteto da seleção contra o Chile remete a eterno dilema do futebol brasileiro

Tite vai reunir contra o Chile, nesta quinta-feira, no Maracanã, o que o futebol brasileiro tem de melhor em termos ofensivos hoje. Antony, Lucas Paquetá, Neymar e Vini Jr. juntos remetem a um eterno dilema da seleção brasileira, especialmente forte nos tempos de vacas mais gordas. É o esquema tático que escolhe os jogadores ou são os nomes à disposição do treinador que devem determinar a forma de jogo?

Duas Copas do Mundo trazem resultados distintos diante do mesmo direcionamento. Em 1970, Zagallo tinha cinco jogadores que atuavam com a camisa 10 em seus times. O treinador conseguiu fazer fluir o jogo com Gerson, Rivellino, Tostão, Jairzinho e Pelé. Recuou uns, abriu outros e fez daquela seleção a maior campeã do mundo de todos os tempos.

Carlos Alberto Parreira, preparador físico na época, teve 36 anos depois a chance de tentar repetir a aglutinação bem sucedida de grandes talentos. No Mundial da Alemanha, escalou Kaká, Ronaldinho, Ronaldo e Adriano juntos. Especialmente a reunião dos dois centroavantes parecia temerária. Parreira acreditou que a qualidade, por si só, resolveria. Mas o time não funcionou. O pouco interesse de alguns medalhões sacramentou o fracasso daquele grupo que deixou a Copa como uma das maiores decepções do futebol brasileiro.

Esta noite, a ausência de Matheus Cunha, lesionado, abriu espaço para o teste com o quarteto ofensivo. Entretanto, Tite optou por manter Richarlison, centroavante, no banco, e escalar Neymar e Paquetá flutuando entre a intermediária ofensiva e a grande área. Um é o craque do time. O outro vive fase indiscutivelmente melhor que o atacante do Everton.

Linha de seis
A tendência contra o Chile é que o atacante Neymar seja mais meia e o às vezes volante Paquetá jogue mais perto de ser o centroavante. Reunir os melhores jogadores, aqueles que atravessam melhor momento, independentemente do encaixe tático, é mais viável quando você tem opções com maior versatilidade. O jogador do Lyon consegue atuar em até cinco posições diferentes. Neymar pode ser atacante pelo lado, meia, ou falso nove. Antony pode atacar tanto pelo lado direito quanto esquerdo.

— O Paquetá joga de penúltimo atacante, de 9 também. No último jogo, teve uma substituição e ele jogou de 9, no Flamengo também jogou de 9. São jogadores versáteis, que se adaptam. O que a gente procura é ter harmonia, equilíbrio, para ter essa possibilidade dos homens da frente serem criativos, e os do meio para trás consistentes — afirmou Tite.

Tanta mobilidade ajuda a abrir espaços para a ideia de Tite de povoar o setor ofensivo para trazer superioridade numérica e assim furar as retrancas adversárias. No último treino antes da partida no Maracanã, estimulou a subida de Fred e Guilherme Arana, ao mesmo tempo, formando uma linha de seis jogadores no ataque. Que os homens mais defensivos (Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Casemiro) segurem as pontas.

Fonte: Ge

Foto: Reprodução

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