Covid na China: o que levou país a impor confinamento aos 25 milhões de habitantes de Xangai

A China ordenou a maior quarentena desde que a pandemia de covid-19 começou há mais de dois anos.

A cidade de Xangai, com 25 milhões de habitantes, ficará em confinamento em duas fases durante nove dias, período em que as autoridades vão realizar testes de covid-19 em todos os cidadãos.

A cidade – um importante centro financeiro – enfrentou uma nova onda de infecções no mês passado. Porém, até agora, as autoridades resistiram em colocar toda a cidade em lockdown para evitar atrapalhar demais a economia.

Esse número de infecções não é alto para alguns padrões internacionais.

Para ter ideia, o Brasil registrou 10,2 mil casos no domingo (27/3), e a última vez que o país teve uma média móvel diária de casos abaixo de 2,7 mil foi em abril de 2020, há quase dois anos.

No pico da variante ômicron, em fevereiro de 2022, o Brasil chegou a alcançar uma média móvel diária de 189 mil casos.

Uma cidade dividida em duas
O confinamento em Xangai acontecerá em duas etapas, com restrições na zona leste da cidade a partir desta segunda-feira até 1º de abril, e na zona oeste entre os dias 1º a 5 de abril.

O transporte público será suspenso e empresas ou fábricas terão que interromper as operações ou trabalhar de forma remota, anunciaram as autoridades.

O governo da cidade postou as instruções em sua conta do WeChat, aplicativo muito popular entre os chineses, pedindo que a população “apoie, compreenda e coopere com o trabalho de prevenção e controle de epidemias”.

Outros lockdowns durante a pandemia afetaram províncias chinesas inteiras, embora muitas vezes as pessoas ainda pudessem viajar nessas regiões.

Mas Xangai, devido à alta densidade populacional, é a maior cidade inteira a ser colocada em quarentena até o momento. Trata-se da capital comercial da China e, segundo alguns parâmetros, a maior cidade do país.

Neste momento, é uma das áreas mais atingidas pela covid, enquanto a China luta para conter o espalhamento da variante ômicron do coronavírus, que está por trás dos recordes de novos casos registrados nas últimas semanas.

As autoridades disseram que, até agora, o porto e o centro financeiro localizado em Xangai devem continuar funcionando para o bem da economia.

A abordagem escalonada para esse confinamento significa que metade da cidade ainda permanecerá ativa, enquanto a outra parcela estiver em lockdown.

Milhões de residentes em outras cidades chinesas foram submetidos a restrições completas, muitas vezes após um número relativamente pequeno de casos de covid-19.

A política de ‘covid zero’
O recente aumento de casos na China, embora pequeno em comparação com o registrado em vários outros lugares do mundo, é um grande desafio à estratégia de “zero covid” que este país empreendeu desde o início da pandemia.

O governo tem ordenado bloqueios rápidos e restrições agressivas para conter qualquer novo surto de casos.

A política diferencia a China da maioria dos outros locais que tentam agora conviver com o vírus. Mesmo em países que adotaram a política “zero covid” no passado, como Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, houve uma mudança de postura mais recentemente, com o alívio de algumas restrições.

O principal motivo para o fim dessa visão de abafar qualquer surto no início foi a variante ômicron, que é mais transmissível que todas as outras versões anteriores do coronavírus. Essa linhagem provocou recordes de novos casos em várias partes do mundo, embora a proporção de hospitalizações e mortes tenha sido significativamente menor em relação às ondas anteriores.

A disponibilidade de vacinas e tratamentos eficazes, especialmente nas nações mais ricas, foi outro fator que permitiu o alívio de muitas das restrições que marcaram os últimos dois anos.

Alguns moradores de Xangai reclamaram dos intermináveis ​​ciclos de testes, sugerindo que o custo de uma política de “covid zero” se tornou muito alto.

Fonte: Época Negócios

Foto: Reprodução

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