Conselho de Direitos Humanos aprova resolução que cria comissão de investigação sobre supostas violações na Ucrânia

O Conselho de Direitos Humanos votou nesta sexta-feira (4) por uma resolução condenando supostas violações de direitos durante as ações militares da Rússia na Ucrânia e estabelecendo uma comissão de inquérito para investigá-las. O Brasil votou a favor, mas fez ressalvas ao texto aprovado.

“É nosso dever documentar e avaliar os crimes da Rússia e identificar os responsáveis”, disse o embaixador da Ucrânia nas Nações Unidas (ONU) em Genebra, Yevheniia Filipenko, ao Conselho minutos antes da votação.

Durante sua fala, o representate do Brasil se disse decepcionado com o texto apresentado para votação. Segundo ele, enquanto discutiam a elaboração do material, os países fizeram diversas propostas construtivas, que foram desconsideradas pelo Conselho na montagem da versão final. “O Brasil preferiria um esboço mais equilibrado, o que poderia criar espaço para diálogo entre todas as partes, passando uma mensagem firme de respeito ao Código Internacional dos Direitos Humanos”, disse ele.

Outro ponto criticado pelo representante brasileiro foi o uso de alguns termos no texto, muitos dos quais ele afirmou terem sido empregados por “inspiração” em iniciativas recentes do Conselho de Segurança da ONU. Para ele, foram utilizadas na proposta da resolução referências que não deveriam ser objeto do Conselho de Direitos Humanos, enquanto conceitos relacionados a questões humanitárias e dos refugiados estavam imprecisos.

“O uso de tal linguagem constitui algo sem precedentes que só tende a exacerbar a politização de nossas deliberações”, afirmou o representante brasileiro.
Apesar dos pontos problemáticos mencionados, o Brasil votou a favor da resolução por entender que, acima de tudo, o Conselho deve “cumprir com sua obrigação de proteger os direitos humanos na Ucrânia e apoiar uma solução pacífica para a crise no país”.

A Rússia negou alvejar civis na Ucrânia. Para Evgeny Ustinov, representante da Rússia, disse ao Conselho que os apoiadores da resolução “usarão qualquer meio para culpar a Rússia pelos eventos na Ucrânia”.

Corredor humanitário
Pouco mais de uma semana após o início da guerra, as delegações da Rússia e Ucrânia fizeram uma segunda rodada de negociações nesta quinta-feira (3). Segundo um porta-voz da Ucrânia, “houve entendimento” entre as duas nações para a criação de corredores humanitários, entrada de provisões e a retirada de civis do país atacado pelos russos.

Os corredores humanitários são faixas que ficam sem confrontos temporariamente e de comum acordo entre as partes beligerantes, para permitir o trânsito de civis, sua saída da área de combate e a chegada de suprimentos como remédios e alimentos.

Uma terceira rodada de negociação entre os dois países deve acontecer na próxima semana.

Fonte: G1

Foto: Reprodução

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