Bolsonaro deveria se comportar no Brasil como faz na Rússia, avaliam aliados

Diante da proximidade das eleições deste ano, os aliados do presidente Jair Bolsonaro estão cada vez mais irritados com o posicionamento negacionista em relação à vacinação contra a Covid-19 e comentam que ele deveria se comportar no Brasil como tem feito na viagem à Rússia.

Em sua chegada à Rússia, Bolsonaro apareceu usando máscara e, segundo sua equipe, vai seguir as “recomendações” do governo russo de fazer vários exames e ficar confinado em hotel, a maior parte do tempo possível, até o encontro com o presidente local.

O presidente francês Emanuel Macron e o chanceler alemão Olaf Scholz não quiseram fazer os testes cobrados pela Rússia e foram recebidos numa mesa gigante para evitar que ficassem próximos de Putin.

Segundo aliados e interlocutores do presidente ouvidos pelo blog, Bolsonaro passa uma péssima imagem ao respeitar as regras sanitárias na Rússia, enquanto no Brasil ele faz questão de fazer exatamente o contrário.

“Ele deveria fazer aqui como está fazendo na Rússia, usando máscara, se submetendo a todos os testes exigidos pelo governo russo, tudo para tirar uma foto bem pertinho de Vladimir Putin”, diz um aliado do presidente no Congresso que pediu para não ser identificado.

A expectativa, agora, é sobre o encontro desta quarta-feira (16) entre Putin e Bolsonaro: se eles vão estar próximos ou na mesma gigante em que Macron e Scholz foram recebidos.

O governo brasileiro espera que o encontro do presidente seja diferente dos anteriores. Essa esperança faz parte da estratégia do Palácio do Planalto de mostrar que Bolsonaro tem interlocução e é ouvido por um grande líder mundial.

Assessores e interlocutores do presidente têm defendido que ele mude seu discurso em relação à pandemia do coronavírus, porque o seu negacionismo e campanha contra a vacinação pode prejudica-lo ainda mais nas eleições e afetar também as campanhas de seus aliados neste ano. Defendem, inclusive, que ele se vacine, o que foi manifestado publicamente inclusive pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

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