Auxiliares aconselham Bolsonaro a ‘ignorar’ Ucrânia em visita a Putin, mas EUA recomendam aceno a Kiev

O presidente Jair Bolsonaro foi aconselhado por auxiliares a ignorar a Ucrânia em sua viagem a Moscou, na semana que vem. Mas uma outra recomendação, com origem em Washington, indica que seria positivo se Bolsonaro emitisse algum sinal a Kiev em defesa dos princípios democráticos e da integridade territorial, antes ou durante a visita.

Internamente, a orientação dada a Bolsonaro é que ele só fale sobre a crise entre a Rússia e a Ucrânia se o presidente russo, Vladimir Putin, tocar no assunto. Como a viagem acontece em um momento delicado, com o aumento da tensão na região de fronteira entre os dois países, a ideia é que Bolsonaro se concentre na agenda bilateral.

No caso dos EUA, o governo americano manifestou preocupação com a visita de Bolsonaro a Moscou diretamente a autoridades brasileiras. A mensagem é que a viagem não afeta diretamente as relações entre Brasília e Washington, mas pode ser interpretada como um apoio a Putin no conflito com a Ucrânia.

Segundo relatou uma fonte do governo brasileiro, o presidente corre o risco de passar por um constrangimento. Isto porque os exercícios militares conjuntos da Rússia e da Bielorússia na fronteira com a Ucrânia, iniciados nesta quinta-feira, aumentam os temores de piora da situação. Se isso acontecer, Bolsonaro terá sido o último presidente a tirar uma foto ao lado de Putin antes de um conflito na região.

Bolsonaro embarca para Moscou no dia 14 de fevereiro e tem uma reunião com Vladimir Putin marcada para o dia 16, seguida de um almoço. A comitiva que acompanhará o presidente será de poucas pessoas, devido às restrições sanitárias impostas pela Covid-19.

Devem participar da viagem o chanceler Carlos França e os ministros Braga Netto (Defesa) e Anderson França (Justiça). A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que testou positivo para a Covid-19 na semana passada, só participará se seu próximo exame der negativo.

Na manhã do dia 17, o presidente embarcará para a Hungria, onde vai se reunir com o primeiro-ministro Viktor Orbán, líder ultranacionalista e referência para a direita radical brasileira. Será a primeira visita oficial de um presidente brasileiro ao país.

Fonte: O Globo

Foto: Jorge William / Agência O Globo

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