75% das crianças nos EUA contraíram covid, diz CDC

A maioria dos americanos já foi infectado com covid, de acordo com um relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, divulgado na terça-feira (26). Os pesquisadores revelaram que no início de dezembro apenas 30% dos americanos haviam contraído o vírus. No final da onda impulsionada pela variante Ômicron, esse número dobrou para quase 60%. Já a taxa de infecção de crianças foi ainda maior. Saltaram de 45% em dezembro para cerca de 75% em fevereiro.

Essa taxa desproporcional de infecção entre crianças pode estar ligada a dois fatores, disseram especialistas em saúde: o fim do uso obrigatório de máscaras nas escolas e a escassez de vacinas infantis. “Sem grandes medidas de mitigação, as escolas tendem a ser um lugar de muita transmissão”, disse o virologista Michael Teng, da Universidade do Sul da Flórida. O debate sobre o uso de máscaras nas escolas da Flórida chegou ao fim em dezembro de 2021, quando oito distritos escolares abandonaram definitivamente os requisitos de máscaras. Sem máscaras e distanciamento social, disse Teng, as crianças em idade escolar têm pouca proteção contra o vírus.

As crianças dos EUA com idades entre 5 e 17 anos também foram as últimas a serem liberadas para vacinação contra a covid, mas meses depois ainda têm as menores taxas de vacinação do estado. Crianças até 4 anos ainda não são elegíveis. “Com a Ômicron sendo tão contagiosa, há uma grande oportunidade para eles pegarem e espalharem o vírus, especialmente quando não são vacinados”, disse Allison Messina, especialista em doenças infecciosas do Johns Hopkins All Children’s Hospital, em São Petersburgo, segundo o Tampa Bay. Ela observou que nos EUA, as pessoas com 65 anos ou mais têm as maiores taxas de vacinação e o menor número de infecções, enquanto as crianças de 17 anos ou menos têm mais infecções e as menores taxas de vacinação.

Por que as infecções infantis são tão altas?

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As descobertas do estudo ocorrem quando as autoridades federais de saúde estão prontas para revisar a eficácia das doses de reforço para crianças ​​de 5 a 11 anos. A Pfizer apresentou nesta semana dados clínicos à Food and Drug Administration (FDA) mostrando que uma dose de reforço de baixa dose é segura para crianças de 5 a 11 anos e pode ajudar a prevenir doenças graves à medida que a imunidade de sua vacinação original diminui.

Atualmente, as doses de reforço são aprovadas apenas para maiores de 12 anos, mas Messina se concentrou em outra questão de vacinação. “O que me decepciona não é que as crianças não estão recebendo reforços”, disse ela, “é que as crianças nem estão recebendo sua série primária de vacinas”. Dados estaduais mostram que 23% das crianças da Flórida com idades entre 5 e 11 anos foram vacinadas.

Fonte: Revista Crescer

Foto: Gustavo Fring/Pexels

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