16 governadores vão tentar a reeleição em outubro

Ao menos quatro governadores deverão deixar o comando de seus Estados até o dia 2 de abril para disputar outros cargos nas eleições deste ano, conforme estabelece a regra de desincompatibilização prevista em lei. Há um grupo de outros quatro governadores com situação indefinida. A poucos dias do prazo de desincompatibilização, não definiram se irão ficar ou sair. Em três estados os governadores não irão disputar mandato nestas eleições. Tentam a reeleição dezesseis governadores.

O afastamento seis meses antes do pleito – que não ocorre nas situações de governador disposto a concorrer à reeleição – é obrigatório para os que querem disputar posto diferente do que ocupa.

O caso mais visível é o do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Prestes a completar três anos e três meses no comando do Palácio dos Bandeirantes, ele sairá para concorrer à Presidência.

Trata-se de uma movimentação similar à que ele fez em 2018 quando, também no primeiro mandato, renunciou ao cargo de prefeito de São Paulo para concorrer a governador.

No lugar de Doria assume o vice, o também tucano Rodrigo Garcia, que em outubro deverá concorrer à reeleição no Estado.

Pelo menos até agora, Doria e Garcia patinam nas pesquisas eleitorais para presidente e governador. Marcam abaixo de 5% nos levantamentos mais recentes.

Os outros três governadores que devem deixar seus cargos no início de abril são Camilo Santana (PT), do Ceará, Flávio Dino (PSB), do Maranhão, e Wellington Dias (PT), do Piauí. Os três pretendem concorrer ao Senado.

Diferentemente de Doria, Camilo Santana, Dino e Wellington Dias estão no último ano do segundo mandato como governador. Não poderiam, portanto, concorrer à mais uma reeleição. Outra diferença é que os três são vistos como favoritos em seus Estados.

Em quatro casos há indefinição. A situação que mais chama a atenção é a do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). Derrotado por Doria na disputa interna do partido para escolha do candidato a presidente da República, Leite estuda a proposta de migrar para o PSD para disputar a Presidência.

O articulador dessa movimentação é o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro Gilberto Kassab, presidente do PSD. Na semana passada, um grupo de tucanos liderado pelo deputado Aécio Neves (MG) aumentou a pressão para tentar convencer Leite a ficar na sigla. Defendem que Doria desista da eleição presidencial e ceda a vaga ao colega gaúcho, hipótese refutada pelo ainda governador paulista.

Como está em primeiro mandato no governo gaúcho, Leite ainda teria a opção de tentar a reeleição caso desista do plano presidencial.

Os outros três governadores sem rumo político anunciado até o momento são políticos em segundo mandato que, em algum momento, chegaram a ser cotados para disputar vaga no Senado.

Estão nessa situação os governadores Renan Filho (MDB), de Alagoas, Reinaldo Azambuja (PSDB), do Mato Grosso do Sul, e Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco.

Se resolver disputar o Senado, Renan Filho deverá enfrentar ex-presidente Fernando Collor, prestes a completar oito anos como senador. Eleito, seria colega de Senado do próprio pai, o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Paulo Câmara, de Pernambuco, era visto até pouco tempo como um governador prestes a seguir no cargo até dezembro, sem pretensão de disputar em 2022. Alguns dias atrás, porém, passou a ser incentivado a concorrer ao Senado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas sobre a disputa presidencial.

Se Câmara renunciar, restarão três governadores em segundo mandato que deverão permanecer no posto até dezembro e, portanto, não estarão nas urnas: Belivando Chagas (PSD), de Sergipe, Rui Costa (PT), da Bahia, e Waldez Góes (PDT), do Amapá.

Rui Costa era visto como favorito para a vaga de senador da Bahia. Para a viabilização de sua candidatura, porém, o senador Otto Alencar (PSD), deveria desistir da reeleição para disputar a eleição para governador.

Ante o favoritismo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) na disputa estadual, Otto preferiu manter sua candidatura à reeleição. Ao mesmo tempo, ao perceber que não iria assumir o governo temporariamente, o vice de Rui Costa, João Leão (PP), rompeu com o grupo político liderado pelo PT e resolveu disputar o Senado na chapa de ACM Neto.

No grupo dos dezesseis governadores que tentarão a reeleição estão os governadores do segundo e do terceiro maiores colégios eleitorais do país: Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais, e Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro.

Romeu Zema e Cláudio Castro têm em comum o fato de terem sido alçados ao posto na esteira da onda de direita que elegeu Jair Bolsonaro presidente em 2018.

Zema foi o primeiro nome da história do Novo a vencer eleição majoritária. Castro era vice de Wilson Witzel (PSC). Assumiu após o impeachment do titular, em 2021. Situação análoga a do Rio ocorre no Tocantins. Mauro Carlesse renunciou ao mandato no dia 11, para evitar o prosseguimento de um processo de impeachment. O vice, Wanderlei Barbosa, do Republicanos, que ocupava o posto interinamente, deve disputar a reeleição.

Sobrevivente a dois processos de impeachment, o governador Carlos Moisés, de Santa Catarina, deve concorrer a um novo mandato, também pelo Republicanos. Moises foi eleito pelo PSL, n a onda bolsonarista, mas distanciou-se do presidente e não tem garantia de apoio exclusivo de Bolsonaro em outubro.

Fonte: Valor Econômico

Foto: Reprodução

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